Amor de ressaca



Amor de ressaca (Cassiano Gatto)

Ela fingiu que não me viu
Bem no meio da avenida
Braços dados com um gaiato
Aproveitando o carnaval
Tal e qual!

Até pensei em desviar o meu olhar
Mas só depois daquele susto inicial

E o que até então era só dito pelo não dito
Caldo requentado, cara de abestado, cena de um passado que já foi...

 Sô lembro que acordei no chão
 Ressaca braba e tava lá
 Beldade nua esparramada
 No meu colchão de marajá, vou pra lá!

No calor da apresentação inicial
Me indagou se eu tinha algum pra emprestar

Ah, muita malícia
E que perícia em mil agrados
Acariciando, foi se instalando, mais uma semana já ficou...

Um dia então me diz que vai
Passar na feira e comprar flores
O tempo passa sem notícia
Até B.O. fiz na polícia
Ô carniça!

Aos poucos vi a minha vida
Voltar ao normal
Jantando saco de pipoca
Vendo jornal

Volta e meia eu lembro aquela zona
Que ela fazia
Roupas espalhadas, louça acumulada, pontas e cigarros pelo chão, mas era bão!

É aquele tipo de memória
que te faz sorrir na hora
Ressentimento nem rancor
Só um tempo denso que marcou, e dissipou...

E procurei seus olhos
Você me sorriu
Se percebeu não sei
Nosso caso vale mil

Amores bem amados por amantes requintados
Amores esquecidos vividos em tempos idos
Amores obscuros escondidos atrás de muros
Amores obscenos emanando gozos plenos
Amores vagabundos de indigentes moribundos (Bb7M B(b6,11) Bbo A(b6)
G#o Gm7 C7 F7M (#5)
Amor de carnaval   no fim do mundo...

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