Mulher, faca e colher
[parte 1]
Mi'a veia disse num tom feminino
Meu Deus do céu, onde cê vai menino?
Deixei pra trás
O frio da serra
Larguei da guerra
Tão demodê
Nos matagais
Da nossa terra
Subi na espera
Só pra te ver
Quem dera eu fosse um yanomami
Ai quem me dera eu fosse mais mulher
Faca e colher, uma cuia de pimenta
E quem aguenta, nem vem que não tem, né Zé?
Faça o que der, esse calor não esquenta
Cobra-coral, dente de jacaré, é bom
(break, solo diferente, subindo?)
[parte 2]
Tudo parado, não aguento esse embaço
Com pé na terra eu ando bem descalço
Sem embaraço
Nem bem te vi
Nesse mormaço
Eu vou partir
Embaixo do braço
Meu elixir
Eu vou no encalço
Da sucuri
Cutuca a fera no buraco e vaze
O pai da moça quer que ela se case
A água preta acalma a tormenta
O jabuti nem treta num enfrenta, espera
Hortelã é bom mas não é menta
E tem marmanjo que não sabe onde senta, ei pô
(Solo)
[parte 3]
De tanta encrenca eu não dei conta não
E escapei num velho rabetão
Deixei um amor esperando na beira
Do igapó da Matinta Pereira, ó
Peguei um peixe, uma flecha certeira
Já vou assar na folha de bananeira
[parte 4]
Eita eu quero bem viver
Quero viver é com você
Vô pescar é jaraqui
Açaí no balde o tucupi
Pra daqui nunca mais sair
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